Central em "Música para Camaleões" está “Handcarved Coffins”, um "romance não ficcional" baseado nos crimes brutais de um assassíno da vida real. A acção passa-se numa pequena cidade do “Midwest” dos Estados Unidos, que oferece arripiantes “insights” da mente de um assassíno e a obsessão de um homem em trazê-lo à justiça. Também neste volume estão seis histórias curtas e sete retratos falados, incluindo um de Marilyn Monroe, a "menina bonita" e uma hilariante história sobre uma mulher-a-dias fazendo sua ronda de limpezas em Nova York, enquanto ia fumando umas coisas que não eram cigarros. Mais um Capote imperdível.
"Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das ciências, da admiração das grandes personagens, das mistificações da política, do fanatismo dos reformadores, da superstição deste grande Universo, e da adoração de mim mesmo"
Cumprindo aquele período de reflexão a que o tema obriga (confesso que fui influenciado pela leitura daquela obra chamada "Utopia", que como disse o nosso presidente, foi escrito pelo Thomas Mann, no qual dito-cujo parlamento, havia uma lei que obrigava a um período de reflexão, antes de responder a propostas lá efectuadas. Mas quem leu, leu, quem não leu, lesse, como disse o outro e siga para bingo), igualmente lendo pérolas sobre o assunto com aquí e aquí ( tem muitos mais, mas agora não me apetece ir à procura, vão vocês se quiserem ), as únicas coisas que consigo alinhavar sobre o assunto são estas:
1 - Sou contra a tourada a cavalo, porque são dois contra um, e acho mal.
2 - Aprecio a tourada a pé, pensando, porém, que também deviam dar uma espada ao touro.
3 - Quantos às “pegas”,acho que deviam equivaler o peso do touro ao peso dos forcados (todos somados) que fazem a pega.
Como veêm, tudo preocupações com a justíça e a sua proporcionalidade. É pouco mas é de boa vontade. E como prémio por terem lido esta porcaria, fica a tradução para Inglês daquele poema do grande Ary chamado Tourada ( em Inglês, porque em Português já toda a gente sabe ).
Bullfight
It doesn't matter, sun or shade Cabins or barriers We fight the beasts shoulder to shoulder Nobody deceives us We fight hand in hand Only waiting can hurt us
Bells, cowbells and capes are coming in And black mantillas Swords, big horns and defeats are coming in And some poets Brave people, carnations and swear words are coming in Because it's a wheeze at most
Cows are coming in behind the forcados Who don't fit at all and olés of the yokels Who pay nothing are sounding And only the bullfighter's helpers are left Whose job doesn't fit
With hopeful banderillas We keep off the beast We're on the Spring Bullring We're going to grab the world By the horns of misfortune And let's make fun of sadness
Old women, crazy women and tourists are coming in Excursions are coming in Benefits and columnists are coming in Swappers are coming in Marialvas and choristers are coming in Cockies with combs are coming in
Knights are coming in with a gallop Of their heroism That crazy music is coming in Called Paso Doble The fan and the old-fashioned are coming in The snobbery and the hate too
Moralistic business people are coming in Frustrations are coming in Antiquaries and fado singers are coming in And contradictions A lot of dollars are coming in, many people Who pay their millions
Tão mauzinho que apetece pedir o dinheiro do bilhete de volta? Talvez. O máximo que se poderá dizer de Inception é que aquí e alí consegue ser ligeiramente interessante. Sempre, mas sempre, acreditem, é emocionalmente “flat”. Não há nada que a personagem de DiCaprio faz no fim que ele não poderia ter feito no início da história. Simplesmente passa por um monte de confusões, enredos patéticos que somam muitas sequências de acção (algumas bem amanhadas) à procura de um filme (que poderiam ser, muito bem, três filmes). A história é desnecessariamente complicada, com os seus vários níveis de sonhos. Perde-se tanto tempo a tentar entender o que se passa no ecrãn, que não nos apetece, nem conseguimos, sentir qualquer tipo de emoção. Temos a noção exacta que tudo não passa de truques de computador. E nós alí, ( os que não tiveram coragem de saír mais cedo ) a rezar para que a carrinha caia depressa. Deception.
Faz uns anos largos que lí um livro, desaparecido entretanto na espuma dos tempos e das mudanças, cujo tema era, "A racionalidade dos meios e a irracionalidade dos fins". Neste livro, o autor, que não sei quem é, defendia a tese de que, na nossa sociedade, a par do aumento óbvio e objectivo da racionalidade dos meios ( científicos, artísticos, etc. ) aumentava também a irracionalidade do seu produto final. Embora não seja a única literatura que se refere ao tema, já que Leonardo Boff escreveu bastante sobre o assunto, defendendo que a "racionalidade" foi instrumentalizada pelo poder. Lembro-me sempre desta teoria, porque, realmente, os exemplos práticos abundam. Hoje, ao ler um artigo do Miguel Urbano Rodrigues, sublinhei uma passagem que diz assim: - " Nunca antes a humanidade dispôs de tanta informação, mas em época alguma esteve tão desinformada." Se quiserem ler o artigo todo, vale a pena. Em relação ao tema de fundo, hei-de escrever qualquer coisa, porque, descobrí à relativamente pouco tempo, que também se aplica a pessoas. Espero por exemplos vossos, mas tem pelo menos um ou dois que são a cara chapada.