sexta-feira, 16 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Porque não tive UMA, mas DUAS
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade
terça-feira, 13 de abril de 2010
José Régio dito por Paulo Gracindo

Ventura Porfírio, Poeta de Deus e do Diabo, 1958
Óleo sobre tela, 138,5 x 108 cm
Câmara Municipal de Portalegre, Casa-Museu José Régio
Como sou preguiçoso, agradeço ao Romeu o trabalho que me tirou.
Se quiser ouvir também a versão Bethania, pode fazê-lo aquí.
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Poema
quinta-feira, 8 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
Quim Roscas e Zeca Estacionancio
Ler este post escrito com muita piada por um colega e amigo, fez com que me recordasse de alguns daqueles “tótós” a que alude. Sim, porque o “totó” (seja lá isso o que for) está presente na vida de todos, se não na 1ª pessoa, pelo menos muito perto. E vejamos o que se poderá entender por “totó”.
Todos nós tivemos aquele amigo de infância a quem mandávamos à caça de gambuzinos, não tivemos? Seria esse o verdadeiro “totó”? E aqueles que estão sempre dispostos a “engolir” todo o tipo de patranhas com o ar mais natural do mundo? Se lhes disserem que existem árvores que dão azeitonas brancas e outras que dão azeitonas pretas, não duvidam e até são capazes de afirmar que têm uma de cada no quintal lá de casa. Sim, porque estes, têm sempre uma experiência pessoal (que, por conseguinte, não pode ser rebatida) que corrobora o que foi dito. Sempre com aquela “cara-de-pau” típica. Não sei, agora a coisa começa a complicar-se. Afinal, onde acaba a “tótózisse” e começa a ignorância? Ou a “esperteza”, ou a “jactância” pura e simples? Ou mesmo o “pretensiosismo” mais bacôco? Ou a cobardia?
Qual é o sentimento típico que nos desperta o “tótó”? Pena? Irritação por não se vislumbrar nele capacidade para interagir com a estupidez, força para impôr uma ideia sua?
Por mim não sei, talvez apenas um encolher de ombros, não de desprezo, mas de reconhecimento no outro do verdadeiro ”tótó” que existe em nós, sempre alerta, sempre pronto a atacar, que nos leva até a escrever coisas como este texto mal-amanhado, despretensioso, humilde,sereno, quiçá banal , mas acima de tudo, como se vê pela sucessão de adjectivos, verdadeiramente “TÓTÓ”.
Todos nós tivemos aquele amigo de infância a quem mandávamos à caça de gambuzinos, não tivemos? Seria esse o verdadeiro “totó”? E aqueles que estão sempre dispostos a “engolir” todo o tipo de patranhas com o ar mais natural do mundo? Se lhes disserem que existem árvores que dão azeitonas brancas e outras que dão azeitonas pretas, não duvidam e até são capazes de afirmar que têm uma de cada no quintal lá de casa. Sim, porque estes, têm sempre uma experiência pessoal (que, por conseguinte, não pode ser rebatida) que corrobora o que foi dito. Sempre com aquela “cara-de-pau” típica. Não sei, agora a coisa começa a complicar-se. Afinal, onde acaba a “tótózisse” e começa a ignorância? Ou a “esperteza”, ou a “jactância” pura e simples? Ou mesmo o “pretensiosismo” mais bacôco? Ou a cobardia?
Qual é o sentimento típico que nos desperta o “tótó”? Pena? Irritação por não se vislumbrar nele capacidade para interagir com a estupidez, força para impôr uma ideia sua?
Por mim não sei, talvez apenas um encolher de ombros, não de desprezo, mas de reconhecimento no outro do verdadeiro ”tótó” que existe em nós, sempre alerta, sempre pronto a atacar, que nos leva até a escrever coisas como este texto mal-amanhado, despretensioso, humilde,sereno, quiçá banal , mas acima de tudo, como se vê pela sucessão de adjectivos, verdadeiramente “TÓTÓ”.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
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