Nunca conseguirei entender como pessoas inteligentes e críticos de cinema, consideram Clint Eastwood o máximo.
Basta ele anunciar que vai fazer um filme, tem logo garantidas as 4 estrelas. Depois é sempre a somar, até ao patamar de "obra-prima", no mínimo.
Gran Torino é bastante mauzinho. Cada fala é previsível e parece escrita por alguém em "script-writing 101". Podiam-se ver as linhas escritas em cada página, cada vez que um actor falava. Interpretações 101.
Por fim, nos filmes de Eastwood, tudo é preto ou branco, os maus são ridículamente maus e os bons são bué de bons. São cansativos e roçam a pura paródia. Carradas de estereótipos – o padre novo, a linguagem de “homem” , o vingador urbano, os orientais com oferendas aos deuses.A mensagem politicamente correcta de que "não pagar os impostos é pecado". Alguem acredita que deixavam uma miúda ir vestida daquela maneira ao funeral da avó? Então o Cristo na imagem final do Gran Torino foi a cereja no topo do bolo, Será isto arte?
Está bom, ele é um tipo cheio de carisma. Mas isso não significa que não se valorize o talento verdadeiro, e se mande anunciar aos 4 ventos mais esta pérola.O rei vai nú. Sem roupa. Népias.
terça-feira, 17 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Curvas e mais curvas
NEW YORK CITY—The Whitney Museum of American Art, 1968.© Micha Bar Am / Magnum Photos
Veja aqui um slide-show de 24 fotos
da Magnum sobre Curvas
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Só mais uma coisinha, ó sefachabore...
No caderno ipsilon do Público, pediram aos críticos de cinema que escrevem por lá, para opinarem sobre os "oscarizados" deste ano. Gostos não se discutem, mas escusavam de insultar o zé povinho, pela escolha do "Quem quer ser bilionário?"
Gostava agora, se não se importam, de recomendar que passassem os olhos por aquí e por aquí. Não me parece que sejam todos uma cambada de imbecís, o que acham? Como dizia o outro, "Quem não sabe, vai para crítico, e quem não sabe mesmo nada de nada, vai para crítico de cinema no Público".
Gostava agora, se não se importam, de recomendar que passassem os olhos por aquí e por aquí. Não me parece que sejam todos uma cambada de imbecís, o que acham? Como dizia o outro, "Quem não sabe, vai para crítico, e quem não sabe mesmo nada de nada, vai para crítico de cinema no Público".
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Porque nada como um artista para expressar o que nos vai na Alma!
POEMA TEMPERAMENTAL
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Concerteza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Joaquim PESSOA
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Concerteza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Joaquim PESSOA
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